As
Vistas ortográficas derivam-se das projeções cilíndricas
ortogonais, como foi apresentado no módulo anterior. Uma das
principais aplicações utilizadas na Engenharia são as
projeções de objetos com o observador posicionado a uma
distância infinita do plano de projeção, na direção do
vetor normal do plano.
fig
- Projeção cilíndrica de um sólido
Utilizando
apenas um plano de projeção, a imagem projetada pode ser a
mesma de outro objeto projetado, conforme mostrado na seqüência
a seguir:
fig
- Projeção de dois objetos distintos resultando a mesma imagem
3.1
Sistema Mongeano de Projeções
O
matemático Gaspard
Monge (1746–1818) criou o MÉTODO DE DUPLA PROJEÇÃO
ORTOGONAL, em meio às guerras napoleônicas, utilizando dois
planos pi1
e pi2
dispostos de maneira ortogonal entre si.
Deve-se
lembrar que para projetar um objeto sobre um plano, posiciona-se
o observador em um ponto impróprio, na direção do vetor
normal do plano de projeção. Caso a projeção será feita em
dois planos, serão consideradas duas posições simultâneas do
observador.
Utilizando
os dois planos, surgem quatro possibilidades para alocar o
objeto que será projetado. Estas quatro regiões são
conhecidas como diedros.
fig
- Planos ortogonais entre si e suas nomenclaturas
Considerando
os quatro diedros, verifica-se a necessidade da escolha de um
dos diedros. A representação
final das projeções não poderá ser um conjunto de planos
perpendiculares entre si. Desta maneira, os planos devem ser
rotacionados de tal maneira que todas as imagens projetadas
estejam em um mesmo plano. No caso
de um objeto estar no segundo ou no quarto diedro, haverá uma
sobreposição de imagens:
fig
- sobreposição das projeções dos objetos do segundo e quarto
diedros
Nos
desenho técnico brasileiro utilizamos o primeiro diedro como
base para a construção das vistas.
fig
- método da Dupla Projeção Ortogonal
Deve-se
notar que houve uma aresta representada com uma linha tracejada.
Isto ocorre pelo fato de que a aresta não pode ser vista
diretamente pelo observador. As arestas invisíveis devem ser
representadas de maneira tracejada. Em
muitos casos, duas vistas são necessárias para representar
univocamente um objeto. Entretanto, existem casos em que duas
representações podem não ser suficientes:
fig
- projeção de dois objetos distintos resultando as mesmas
imagens
Nota-se
que as projeções nos dois planos são idênticas entre si.
Para garantir que um objeto seja
representado sem que haja nenhuma dúvida sobre suas
características, são utilizados três planos de projeção.
Estes planos são dispostos de maneira
ortogonal entre si, dois a dois, de maneira semelhante às faces
de um cubo.
fig
- três planos de projeção ortogonais entre si
Desta
vez, serão necessárias três projeções simultâneas de um
mesmo objeto com o observador alocado a uma distância infinita
de cada um dos planos, nas direções dos respectivos vetores
normais.
fig
- projeção do objeto em três planos
Um
outro exemplo mostra que com as três vistas, pelo menos uma
delas será diferente das vistas projetadas dos outro objeto.
fig
- projeção de dois objetos distintos resultando em pelo menos
uma imagem diferente
3.2
Épura Mongeana
Uma
vez que não existe mais nenhuma dúvida com relação ao objeto
projetado pode-se desconsiderar o objeto e utilizar apenas as
suas projeções.
fig
- remoção do objeto
Para
manipular estas representações com facilidade, os planos
deverão ser rotacionados de tal maneira que as representações
sejam dispostas em um único plano.
fig
- abertura da épura
Esta
representação das vistas ortográficas em um único plano é
denominada ÉPURA MONGEANA. As
VISTAS ORTOGRÁFICAS são as representações das projeções de
um objeto em planos distindos, defasados de 90° entre si. Elas
são descritas em um único plano denominado Épura Mongeana.
As vistas ortográficas podem ser
classificadas em:
As
vistas ortográficas principais são as projeções de um objeto
em planos cujos vetores normais coincidam com as direções do
eixos da base do E3.
As vistas ortográficas auxiliares são
projeções em um plano auxiliar que pode ser alocado e
rotacionado de maneira conveniente para que planos inclinados e
oblíquos possam ser representados em sua verdadeira grandeza.
Os cortes e seções são representações
da intersecção de um plano secante com o objeto de interesse,
exaltando detalhes internos aos objetos.
3.3
As 6 Vistas Principais
Lembrando
que foram utilizados três planos de projeção para identificar
univocamente o objeto, podem ser utilizados outros planos
ortogonais entre si, dois a dois, de tal maneira que os planos
de projeção sejam distribuídos como as faces de um cubo.
Estas seis faces possuirão seis imagens
simultâneas de objeto.
fig
- os seis planos de projeção
Para
representar as seis vistas, deve-se abrir os planos sob a forma
de épura com a seguinte distribuição:
fig
- abertura da épura
A
vista que melhor identifica as características do objeto é
definida como VISTA FRONTAL. Quando
observado o objeto tridimensional, temos à esquerda da Vista
Frontal a VISTA LATERAL DIREITA. De maneira análoga, os
elementos que podem ser observados à direita da Vista Frontal,
temos aí a VISTA LATERAL ESQUERDA. Quando
o objeto for representado por cima, a partir da posição
frontal, temos a VISTA SUPERIOR, localizada abaixo da frontasl e
analogamente a VISTA INFERIOR, localizada acima da frontal. A
sexta vista ortográfica principal é oposta a Vista Frontal e é
denominada de VISTA POSTERIOR. Convencionou-se que sua
localização seria ao lado da vista lateral esquerda.
fig
- nomenclatura das vistas
Quando
a épura é aberta, obtêm-se a seguinte distribuição das
vistas ortográficas:
fig
- disposição das vistas pelo primeiro diedro
Um
cuidado a ser tomado consiste no espaçamento entre as vistas da
épura. Este espaçamento deve ser o mesmo entre todas as vistas
ortográficas principais.
fig
- As seis vistas ortográficas principais
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